sábado, 9 de outubro de 2010

ABSTRATO

Imagem  cérito de:



Os signos, as letras, os sinais me tomam

Guiam meu espírito e minhas mãos

E ao dedilhar alhures ao teclado pronto

Refaço-me em pontos aonde nunca cheguei.



Se eu parar as reflexões, me tornaria refém de refrões?

Não, não seriam só refrões, adviriam os senões!



Sobre telhados molhados, senti os pés

De assas aparadas me debati entre ramos

Esconder-me de perigos, sentir castigos

Enquanto as letras me tomam, me domam.



Driblei os costumes, transgredi.

Vibrei de alegrias, me diverti

Senti pudores ao ver os horrores

Banhei-me em águas limpas para me purificar.



Ah, se os ventos, os rumos mudassem!

E se o barco que sou encalhasse em arreia

Ainda assim com visão de imagens, seria um manuscrito

Para retomá-los ao longo da viagem.


Por: Salete Cardozo Cochinsky em outubro de 2010

17 comentários:

Ramosforest.Environment disse...

As letras dominam e libertam.
Asas soltas ou sob controle?
Texto abstrato ou não, um belo poema.
Uma profunda indagação.
Luiz Ramos

Multiolhares disse...

através das letras tanto se diz, tanto se sente, tanto se dá
Beijinhos

Lau Milesi disse...

Abstraí tanta coisa desses seus versos abaixo:
...(Se eu parar as reflexões, me tornaria refém de refrões?

Não, não seriam só refrões, adviriam os senões!)

Genial, Sally. Belíssimo seu poema.

Um beijo

Lau Milesi disse...

Digo:"Belíssimo, seu poema". :)

Daniele Barizon disse...

"Se eu parar as reflexões, me tornaria refém de refrões?

Não, não seriam só refrões, adviriam os senões!"

Salete, querida,

Interessante a questão que com maestria nos coloca, e, isso posto, a sua própria conclusão. No que reside, aliás, a importância do pensamento crítico/reflexão por nossa evolução.

Bjs e boa semana!

Graça Pereira disse...

Minha Querida
As letras, as palavras, por vezes, são prisões...mas é tambem através delas que nos soltamos, arriscamos ainda que, com uma série de senões atrás de nós...
Gostei do teu poema reflectido, analítico e muito conclusivo.
Beijos
Graça

Tere Tavares disse...

O barco navega e é isso que importa. Ainda mais quando tanta água resplandeces.
Beijos

Rafael Castellar das Neves disse...

Até sopro o ar pra ver se os ventos mudam...até mudam, mas para onde querem..e normalmente não é pra onde soprei..rs

[]s

Fa menor disse...

Haverá sempre signos que nos permitam comunicar... só que, por vezes, os ruídos os abafam.
No entanto, banhar-se em águas limpas é uma purificação, um apagar de signos mal colocados, um retomar a viagem.

Bjins

Djabal disse...

Você adotou um ritmo mais leve, mais solto, dando mais valor à liberdade do que a literalidade.
Pisar no telhado molhado é uma bela imagem, mais bela ainda pela profissão de fé na palavra. Naquela que a modifica, ou modificará. Esta é a que tem o valor.
Parabéns, sempre. Beijos.

Ana Guimarães disse...

Encalhar em areia? Nunca deseje isso. Tanto quanto nunca parar com as reflexões. Talvez encostar em algum porto e depois seguir viagem...

beijo

Daniele Barizon disse...

Oi, Salate! Andas sumida. apareça!

Bjs!

Graça Pereira disse...

Passei para te desejar um bom feriado de TODOS OS SANTOS!
beijo
Graça

Madalena Barranco disse...

E as letras, querida Salete, lhe devolvem as asas, um dia aparadas... Que lindo poema!

Beijos, com carinho
Madalena

Daniele Barizon disse...

Salete, querida!

Agora entendo sua ausência: estavas curtindo férias merecidas. Fiquei muito feliz de saber, e espero poder ver fotos dessa jornada em algum lugar. Bjs e bom retorno!

Luísa N. disse...

Salete querida, ler seus poemas é entrar em caminhos de reflexão e ir ao encontro de nosso eu mais profundo.
Sim, esse nosso barco da vida, feito com signos e sinais gráficos, muitas vezes esbarra-se em dunas. Mas nossa força interior move-o novamente para "para pontos aonde nunca" antes chegamos.
Beijos!

Rodrigo Passos disse...

lindos versos!