Viver a vida no mínimo e no máximo que ela se apresenta é o que coloca o ser da linguagem em sua ambiguidade essencial. É isso que viabiliza as interrogações no vácuo da metafísica.
sexta-feira, 13 de maio de 2011
OS VERSOS DO ADVERSO
Imagem Reflexão - Imagem pintura Mulher na Toallete - uol
Pesquisando textos mais atuais sobre afetos e emoções para indicar como bibliografia para uma supervisionanda, encontrei esse belo e tão realista texto poético de FERNANDO PESSOA, num trabalho publicado por Carlos Pinto Corrêa (2)
Psicanalista. Membro do Círculo Psicanalítico da Bahia
Entendi que merecia ser compartilhado.
"E a vida sempre me doeu, sempre foi pouco, e eu infeliz.
A certos momentos do dia recordo tudo isso e apavoro-me,
Penso em que é que me ficará desta vida aos bocados, deste auge,
Desta estrada às curvas, deste automóvel à beira da estrada, deste aviso,
Desta turbulência tranqüila de sensações desencontradas,
Desta transfusão, desta insubsistência, desta convergência iriada,
Deste desassossego no fundo de todos os cálices,
Desta angústia no fundo de todos os prazeres,
Desta saciedade antecipada na asa de todas as chávenas,
Deste jogo de cartas fastiento entre o Cabo da Boa Esperança e as Canárias.
Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.”
Por: Salete Cardozo Cochinsky - outono de 2011
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quinta-feira, 5 de maio de 2011
OBVIEDADES
Foto da web
Ah, se não fossem as pontes,
As fontes,
Os túneis,
O ontem!
Para transpormos os vales,
Vale lembrar os túneis
Que atravessam montanhas!
O hoje não seria assim
Com cheiro da flor de jasmim,
E ai de mim,
Seria o fim
Se não houvesse o amanha,
Pois hoje é ponte do ontem,
Que no conjunto são fontes.
Por: Salete Cardozo Cochinsky - Porto Alegre/RS outono de 2011
Ah, se não fossem as pontes,
As fontes,
Os túneis,
O ontem!
Para transpormos os vales,
Vale lembrar os túneis
Que atravessam montanhas!
O hoje não seria assim
Com cheiro da flor de jasmim,
E ai de mim,
Seria o fim
Se não houvesse o amanha,
Pois hoje é ponte do ontem,
Que no conjunto são fontes.
Por: Salete Cardozo Cochinsky - Porto Alegre/RS outono de 2011
sexta-feira, 29 de abril de 2011
FRAGMENTOS II - Repost
FRAGMENTOS II
Nada se sabe que não seja além daquilo que o tempo ensina. Se há um saber possível, esse se mantém na linha do tempo. Tempo individual e tempo cultural. Da experiência inicial à formação de idéias. Bem no início da vida de cada um e dos contatos, comunicações entre os seres.
Mais que isso, esse tempo é contado a partir de que o ser pensante e “criativo” tenha abstraído o saber e transformado em conhecimento. Ser é o que se percebe no universo com algo que de alguma forma faz eco dentro de si. Os meandros do psíquico que é abrigado por um corpo e seus conteúdos aguardam para poder mostra-se como parte desse universo que é constituído na interação interno e externo pelos sentidos, instrumentos de movimentação e comunicação.
Eles já haviam se perguntado sobre as consequências do tempo inúmeras vezes, em algumas se apropriaram um mínimo do que havia de livre-arbítrio entre um e outro ponto, entre um e outro tempo. Não fosse isso não chagariam a lugar algum. Perceberam-se tantas vezes em estado de ilusão em relação aos movimentos realizados. Pois nem sempre um movimento significa a mudança de posição desejada.
Certo dia, bem cedo, o sol ainda não havia despontado na linha do horizonte, mas ela já havia saído da cama. Alegrou-se por poder desfrutar apenas o barulho, o cantarolar dos pássaros, nessa estação, outono, bem menos entusiasmados. Os barulhos decorrentes dos deslocamentos da população urbana ainda não vociferavam poluindo os ouvidos. Respirou fundo e lembrou-se dos tempos de infância quando o cantar dos galos era o despertador. Não era o caso, necessidade externa levantar tão cedo, mas os cheiros orvalhados da grama e das flores fizeram eco em seus sentidos.
Pensou em acordá-lo para desfrutar da harmonia das cores promovida pelo alvorecer, do cheiro da grama, das folhas e das flores próprias daquele momento do dia. Um dia que prometia sol aberto. Não o fez, pois conhecia as diferenças sobre o que promovia prazer para cada um.
A capacidade de lembrar indica que há um percurso, dados e fatos vivenciados. O presente passa a cada mínimo de uma cronologia ou consciência da existência. Portanto, o futuro também passa; primeiro no imaginário, segundo nos atos e ações. E com isso constamos uma a-temporalidade concreta, e uma a-espacialidade flexível e elástica. Quanto mais se vive, mais constatamos que nosso conhecimento é ínfimo diante complexidade para o mais importante, viver em harmonia, como um fragmento do cosmos. É tão simples.
Mas é a partir do momento que o sol se põe na linha do horizonte que se pode perceber com mais nitidez as faíscas, a fumaça e as línguas de fogo que são lançadas pela erupção de vulcões, cuja potência e tamanho de espaço que ocupam, estão submersa ou abrigada por camadas de elementos não vulcânicos.
A linguagem pode ser comparada a essas faíscas, chispas, fumaça e as línguas de fogo. São anúncio de algo poderoso que existe e que é em outro local em que pode ser visto, observado sua origem e sua as condições de força.
Por: Salete Cardozo Cochinsky
sexta-feira, 8 de abril de 2011
SIMPLESMENTE
Furacão: Imagem web
I
Olho a página em branco
Antes que amarele
Ou fique empoeirada
De teias tapadas,
Busco força e luto.
II
Abro as asas e tento,
Sentir-me em assento
Tendo tantos afins
Para me apoiar
E revigorar as forças perdidas
Nas voltas da vida.
Foto feita por mim do que vejo de imediato ao abrir a janela da suite pela manhã.
III
Mudanças são partes.
Vida como a arte,
Me pego a compor
Decompostos eu’s
Recorro a Zeus
E ao acordar,
Vejo o limpo céu
E outra vez as flores
Na minha janela,
São convites abertos
Para fazer registros
Dos traços que seguem.
Salete Cardozo Cochinsky em março de 2011.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
TRAVESSIA
Foto da Nasa publicada na web
O amanhã é um sorriso com brisa perfumada,
É só seguir a estrada, não tenhas medo de nada.
A mesma pedra ou flanco que podem te machucar
Também podem estar ali para que aprendas a andar.
E quando o tempo faz um corte é um aviso
Simbolizado, propondo ver o horizonte,
De outros ângulos, dançam e clamam motivos
Há que se ter coragem, confiar e decifrar mensagens.
Entre o nebuloso, o estrondo, os perigos
E a serena melodia da paz e luz irradia,
Próprios dessa existência imperativa
Em qual se abrigam momentos subvertidos.
Salete Cardozo Cochinsky 03 de janeiro de 2011.
O amanhã é um sorriso com brisa perfumada,
É só seguir a estrada, não tenhas medo de nada.
A mesma pedra ou flanco que podem te machucar
Também podem estar ali para que aprendas a andar.
E quando o tempo faz um corte é um aviso
Simbolizado, propondo ver o horizonte,
De outros ângulos, dançam e clamam motivos
Há que se ter coragem, confiar e decifrar mensagens.
Entre o nebuloso, o estrondo, os perigos
E a serena melodia da paz e luz irradia,
Próprios dessa existência imperativa
Em qual se abrigam momentos subvertidos.
Salete Cardozo Cochinsky 03 de janeiro de 2011.
domingo, 12 de dezembro de 2010
MOMENTO DELICADO
Queridos amigos, leitores e aqueles que me acompanham
Como vocês perceberam esse ano a vida me trouxe a realidade que provocam dores,
angústia, sofrimento. Ainda vivo um desses e escrevo para deixar esse registro e dizer porque não estou podendo ler e comentar. Mais ter essa disponibilidade e desejo do intercâmbio.
Enfim, a vida é assim. Nesse momento, meu marido passa por uma situação delicada, (já há dois meses), hospitalizado com grave problema cardíaco.
Desejo que todos estejam bem e espero em breve poder estar mais tempo com vocês.
Vai de um casulo, a um avião,
é borboleta em ordem em seu ciclo
rompendo as barreiras do sentir e pensar.
Horas de dores, horrores e agonias,
constatam-se os fatos, algo em sinergia,
em seu simultâneo, sem alegoria,
sinais, e alertas servem como guia.
Nossas experiências apontam para fatos,
dos quais, impotentes, resta nos a espera,
quanto vai além da simples quimera,
os medos imperam, natural de nossa natureza.
Beijos a todos
12 de dezembro de 2010
Salete Cardozo Cochinsky
Como vocês perceberam esse ano a vida me trouxe a realidade que provocam dores,
angústia, sofrimento. Ainda vivo um desses e escrevo para deixar esse registro e dizer porque não estou podendo ler e comentar. Mais ter essa disponibilidade e desejo do intercâmbio.
Enfim, a vida é assim. Nesse momento, meu marido passa por uma situação delicada, (já há dois meses), hospitalizado com grave problema cardíaco.
Desejo que todos estejam bem e espero em breve poder estar mais tempo com vocês.
Vida é movimentação,
Vai de um casulo, a um avião,
é borboleta em ordem em seu ciclo
rompendo as barreiras do sentir e pensar.
Horas de dores, horrores e agonias,
constatam-se os fatos, algo em sinergia,
em seu simultâneo, sem alegoria,
sinais, e alertas servem como guia.
Nossas experiências apontam para fatos,
dos quais, impotentes, resta nos a espera,
quanto vai além da simples quimera,
os medos imperam, natural de nossa natureza.
Beijos a todos
12 de dezembro de 2010
Salete Cardozo Cochinsky
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quarta-feira, 10 de novembro de 2010
PALAVRAS
O evento e a data
Neste Livro, em 10 páginas, estão publicadas poesias de minha autoria.
Todas elas foram escritas entre 2008 e 2009 e publicadas no Go, nosso antigo condomínio.
Escolhi PALAVRAS para publicar junto com o convite
Caço as palavras que me laçaram
Lançadas caíram em livre espaço
E há seu tempo erguem-se como manto
Prontas, despontam, florescem em cantos.
Mas com seus mistérios sinuosos se erguem
E com sua ramas, pontas de “eiceberg”/
São sobras de peso, falta de elementos
Em águas oceânicas, sinais a observar.
Palavras, partículas que ao espaço evaporam
Fazendo outros laços em compasso dos ventos
Seletas incorporam-se no sólido para assegurar
E desacomodar...
Palavras, chamas hora suaves, hora candentes.
Incontroláveis, impávidas sólidas, solícitas.
De conexão à desconexão exultam as paixões
Que movem moinhos, fazem redemoinhos.
Palavras que vacilam entre um e outro vão de escape
Que sempre em sinapse, volátil em campos
Livre de encantos, ganha nos recantos
Sentidos singulares, incongruentes regulares.
Salete Cardozo Cochinsky - Primavera de 2010
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